8.25.2008

Viajantes e seus relatos

Viajar, conhecer outros lugares e culturas, mergulhar no cotidiano de outras gentes: uma das experiências mais interessantes que uma pessoa pode se dar. Ao conhecermos lugares distantes damo-nos conta da complexidade das relações humanas; chega até nós o espanto perante hábitos absurdos e, ao mesmo tempo, a curiosidade de compreendê-los; encontramos homens e mulheres que não apenas se vestem de modo muito diferente do nosso, mas também experimentam paixões e sofrimentos de uma forma até certo ponto incompreensível; e afetados por todas as novidades que nos cercam, a fragilidade e as contingências de nossas concepções de vida ficam expostas, nuas, ridicularizadas; o universo se alarga em possibilidades e, igualmente, a nossa insignificância neste mundo onde a diferença e a relatividade atuam como fatores decisivos.

Como não poderia deixar de ser, a literatura registrou a experiência de muitos viajantes ao longo dos séculos. De certa forma, podemos até mesmo considerar o relato de viagem como um gênero específico, híbrido por excelência: não se trata de um documento histórico, mas também não é puramente ficcional, embora tenha muito de ambos. Pode ser escrito após o término da viagem, baseado nas anotações esparsas que o viajante foi recolhendo ao longo de seu trajeto; mas também pode ser que estas anotações feitas às pressas no quarto do hotel sejam o resultado final, sem maiores cuidados e revisões. A carta de Pero Vaz de Caminha ao imperador, relatando o descobrimento, pode ser considerado o primeiro registro de uma literatura de viagem feita em solo brasileiro.

Desde que comecei a ler o Viagem à Itália, de Goethe, meu interesse por relatos de viagem tem crescido. É uma forma especial de, pelos olhos do outro, conhecer e aprender sobre lugares os mais diversos. Mais interessante ainda é a possibilidade de acompanhar, passo após passo, as mudanças que se operam no viajante. A "mística da estrada" que faz com que os homens ampliem o escopo de suas habilidades e saberes.

Motivado por este interesse, publicarei aqui no Dissolve//Coagula uma série de 3 textos que, sem dúvida, pertencem ao gênero literatura de viagem. São impressões de 3 viajantes distintos, cada um colaborando com um texto sobre uma cidade e as impressões/vivências nelas experimentadas. A primeira cidade a ser tratada será Campos do Jordão, com texto de autoria do amigo Lucas. Em processo final de revisão, publicá-lo-ei na quarta-feira dia 27. Os próximos - um sobre Buenos Aires e outro sobre New York - permanecem sem previsão de quando serão publicados, mas acredito que seja logo na seqüência.

Não só esta experiência de publicar textos sobre um assunto específico é nova para mim, como será a primeira vez que publicarei textos de pessoas próximas. E sem medo de parecer demasiado "marketeiro", posso garantir que a leitura valerá muito a pena. Esperarei, ansioso, os comentários.

Um comentário:

  1. Bruno José2:12 AM

    Lembro do Diário de Viagem, de Albert Camus, onde narra a sua passagem pelos EUA (ainda como um autor não muito conhecido, e em algumas anotações sobre as impressões do país, saíram os rascunhos do que seria o romance A Peste) e também pelo Brasil, já como um escritor consagrado, onde a tuberculose e a depressão o acompanham durante todas as cidades que passou, trazendo um Camus bastante mau humorado em seus escritos.

    Fico no aguardo dos textos.

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