2.26.2010

Ostara




The world I love is the world I lost
Broken, plundered and wasted
The memory burnt
From the Soil and the Sun
A black epitaph of the ages

The world you curse
Is the one I love
The Virgin a Whore
In the Garden
Crowned upon the Earth's ordure
I bear no wounds
And I bring no cure

Pain is where this world begins
And pain is the heart of all endings
Every pilgrim that bears
This burden of truth
Only the few have learnt to lose

I curse the Father
And I scourge the Son
I burn down the Holy of Holies
The One in Three
And the Three in None
The march of the proud Black Templar

2.19.2010

UGRA PRESS

Em conjunto com o senhor Douglas Utescher (antigo cúmplice em diversas formas de crimes) começamos oficialmente hoje a UGRA, uma empreitada experimental interdisciplinar dedicada à produção, pesquisa e fomentação de cultura radical e alternativa.

O primeiro lançamento da UGRA será um livro que reunirá os melhores momentos da produção do Dissolve//Coagula, como eu já disse no post anterior. Previsão oficial: final de abril. Além disso, para esse ano teremos outras duas publicações.

O Manifesto da UGRA pode ser lido no blog http://ugrapress.wordpress.com/. Todas as quartas-feiras à noite o blog da UGRA será atualizado, abordando temas como música, literatura, filosofia, etc. Escreva aí na sua agenda.

Não, isso não significa que o Dissolve//Coagula morrerá. Como uma doença incurável, eu carrego esse blog comigo. Por uma decisão deliberada, afastei-me dele para me dedicar integralmente ao "nascimento" de meu novo monstro. Há histórias em andamento para muito breve publicação aqui. Até lá, que os deuses nos protejam das chuvas que maltratam São Paulo.

2.01.2010

Novidades sobre o livro

Terminei agora a revisão do livro que reunirá, em versões modificadas, os posts que considero os mais representativos do Dissolve//Coagula.

Serão dezenove textos que, em meu entendimento, sintetizam a produção que desenvolvo aqui desde setembro de 2006.

As mudanças empreendidas nos textos foram variadas. Em alguns, reescrevi passagens inteiras; em outros, suprimi trechos supérfluos; também inseri muitas coisas novas, principalmente nos textos mais antigos. Revisei todo o conteúdo, até onde me lembro, quatro vezes (e eu acho que ainda foi pouco, mas por fatores externa e bons conselhos de amigos mais próximos resolvi deixar a obsessão crítica de lado e entregar o produto tal como ele está).

O interessante nesse processo foi perceber como fatos vividos desencadearam textos que se distanciaram e muito das minhas vivências. Em outras palavras: por mais que experiências pessoais possam influenciar o processo criativo, elas não foram determinantes para a composição de boa parte do que escrevi até agora. A fantasia divide com a experiência direta o palco onde meus personagens vivem, sofrem e cometem atos desvairados. Talvez não ainda da forma como eu gostaria, pois sempre me sinto um enorme aprendiz do ato de escrever, principalmente quando leio os mestres de sempre (Dostoiévski, Cortázar, Cioran). Apesar disso, o resultado geral me deixou satisfeito.

Perguntaram-me quem irá lançar o livro. Será um editora nova, que estou construindo em companhia de um velho amigo. O objetivo é produzir trabalhos de uma forma especial, arrisco a dizer artesanal, e com meios próprios. Não leia nisso trabalhos-faça-você-mesmo-precários-e-toscos. Justamente o oposto: edições artesanais e únicas, mas primorosas. Feitas para serem apreciadas em uma confortável poltrona, manuseados enquanto se fuma um cigarro, levados na mochila nas viagens. Uma tentativa algo quixotesca de reavivar o impresso em tempos digitais, uma bandeira hasteada com orgulho em prol das prensas de Gutenberg.

Quando estará disponível, agora eu não sei dizer. Mas posso dizer que a parte mais complicada, que era a revisão, terminou. As novidades eu conto logo mais.

1.22.2010

Mutarelli volta a desenhar no Estadão

Imagem retirada de "Transubstanciação"

Amanhã, sexta-feira dia 22 de janeiro de 2010, é data onde as preces de muitos fãs de Lourenço Mutarelli serão atendidas: estreiará amanhã, no Caderno 2 do Estado de São Paulo, a série Ensaio Sobre a Bobeira, "uma experiência gráfica cheia de nonsense e estranhamento, um tipo de comentário visual sobre a natureza humana".

Desde 2005 Mutarelli não lançava nenhum trabalho gráfico e a expectativa em torno da volta aos traços é grande. Eu também compartilho da expectativa, mas com uma leve prudência. Apesar dos últimos romances mutarellescos (e em especial "A arte de produzir efeito sem causa") não deverem nada aos quadrinhos no que concerne ao conteúdo, sem concessões e facilidades para o leitor, um retorno aos desenhos comporta riscos. Na entrevista concedida ao Estadão, Mutarelli enfatiza que os desenhos serão mais experimentais e com "muito acrílico": saber disso é importante, principalmente para as velhas viúvas dos anos 90, que conheceram o velho Muta nas páginas do Transubstanciação.

Abaixo segue a entrevista que está hoje no Estadão. Se você quiser ler o original, é só clicar.

Há quanto tempo você não fazia quadrinhos?
Faz tempo, não me lembro ao certo. Vamos ver... Tá aqui... 2005. Foi o último que desenhei, Caixa de Areia, saiu pela Devir Editora. Eu tentei parar de desenhar para reformatar o cérebro, para ver se mudava alguma coisa.

Mas nessa época você já escrevia prosa, não?
Tava escrevendo, já tinha publicado algumas coisas. Aí eu quis tentar parar de desenhar. Parei um ano e alguma coisa, nenhum rabisco, nada. Aí comecei a fazer os gráficos para o livro A Arte de Produzir Um Efeito Sem Causa. Acho que não estava mais aguentando ficar sem desenhar e comecei a criar uns gráficos. Em 2007, fiz uma viagem e comecei a usar uns cadernos de esboços Moleskine.

Quantos cadernos você já desenhou?
Tenho uns 22 cadernos. São estudos, começou com uma mistura de texto e imagem e agora passou à coisa somente visual. Tem uns estudos da nova história que estou começando, e umas coisas que estou fazendo para o Estado. Batizei de Ensaio Sobre a Bobeira, e a série chama Moças com Bifes Sobre o Rosto. São coisas assim, pin-ups, coisas nonsense. Tenho usado muito acrílico agora. E é meio nessa linha o que estou fazendo para o Estado, coisas mais experimentais.

Você consegue definir precisamente, nesses cadernos, onde há um trabalho que não tem intenção de ser prosa e outro que é só gráfico?
Aqui eu consigo uma coisa que é um meio-termo. Às vezes faço um desenho e, a partir do desenho, crio algum diálogo, algum texto, que é um processo inverso de você fazer um roteiro de quadrinhos. Você cria uma imagem e vê o que essa imagem quer dizer, complementa ela com alguma frase. A minha ideia com esses cadernos é uma experimentação total, tentar chegar a alguma coisa antes de filtrar, tanto técnica - usando material que limite um pouco o meu domínio técnico - quanto na parte criativa. E faço e viro a página e vou indo, e depois de um tempo vou olhar o que eu gerei.

O esboço tem alguma vantagem sobre a produção em série, para um álbum em quadrinhos, por exemplo?
Eu acho que é um exercício. O problema é que acabo gostando. No estágio em que estou, que é o estágio natural de qualquer pessoa que trabalha muito com desenho durante muito tempo, é você querer voltar ao espontâneo, à liberdade. E quando é um estudo, consigo chegar a isso bem, mas se eu diagramar uma página para tentar fazer essa coisa espontânea, ela não vem. Só de diagramar, só de saber que tem um propósito, isso já começa a endurecer o traço e bloquear essa liberdade criativa. Por isso que fazendo assim. A ideia do Ensaio Sobre a Bobeira justifica o que vier, sem muita elaboração, e tendo esse prazer de... nem sei o que quer dizer, não é pensado, não tem uma mensagem.

Você faz alguma leitura psicanalítica daquilo?
Com o tempo eu acho que algumas coisas se encaixam. Quando faço, acho que é tudo fábula, tudo ficcional, mas às vezes passam meses, um ano, e cai a ficha de alguma coisa interna.

Você foi dos quadrinhos para o cinema e para o teatro. Quando você viu O Natimorto materializado no teatro, ficou satisfeito?
O Natimorto foi um dos meus trabalhos muito febris, tinha uma ideia conceitual e fui em frente. Eu tinha um estudo sobre o tarô, que era para casar com as imagens, mas a estrutura da história foi se formando. A coisa de ver isso adaptado para o teatro, o grande prazer disso é que você tem um retorno imediato do que você fez. Mario Bortolotto (diretor da montagem) foi muito fiel ao original, não deixava os atores colocarem nem um caco, mudarem nem uma vírgula. O que estava escrito era o que era dito. Eu vi muitas vezes a peça e estar ali, misturado com a plateia, tinha uma resposta imediata a alguns diálogos, algumas brincadeiras. Esse retorno é muito interessante de se sentir.

A sua experiência como ator no cinema, em O Natimorto, parece que você não gostou muito...
Eu gostei muito de participar do projeto, de acompanhar o processo de filmagem, ver o filme pronto. Mas minha mulher tinha falado: na hora que o filme sair, você não vai estar pronto para isso. E a hora que o filme passa, de fato, você fica muito exposto, você ouve muita coisa. Não foi agradável estar ali perto quando o filme foi passado... Adoro o trabalho do Paulo Machline, que adaptou para o cinema, e que é completamente diferente do trabalho do Mario Bortolotto, são visões muito distintas de um mesmo texto, mas é muito difícil você se ver sem o olhar crítico.

O quadrinho é uma atividade muito solitária. E você fez isso durante décadas...
Durante décadas. Algumas pessoas dizem isso, e parece brincadeira, mas ou você faz quadrinhos ou você vive. Quando eu fiz O Cheiro do Ralo, e ele acabou sendo adaptado, passei a viver e a escrever de forma compulsiva. Eu tinha poucas horas e passei a viver muito. Só fazer besteira, mas esse é o lado bom. E agora voltando aos quadrinhos, voltando a desenhar. Tem de ter uma disciplina, tem de baixar a cabeça e desenhar, não tem jeito.

É muita pesquisa, não? Mas a literatura também envolve bastante pesquisa, não?
É diferente. Se bem que a literatura, seus jogos de palavras, suas associações de ideias vão se limitando, você precisa se reciclar, pesquisar alguma coisa que é diferente para me contaminar daquele universo.

Por que você resolveu desenhar justamente para o meio jornal?
Vou te responder sinceramente: quando comecei a desenhar, eu tentei publicar em jornal e não consegui. Não conseguia desenvolver, meu trabalho tem uma estranheza que não cabia muito. Desisti e nunca mais quis, nunca mais tive vontade. Mas o convite do Estado pesou muito, é um jornal que eu respeito e admiro. Hoje em dia eu tenho uma liberdade, construí um nome que me permite isso. E o fato de ter essa liberdade num lugar que eu respeito, e a possibilidade de trazer gente nova. O que me incomoda às vezes nas tiras, e hoje até que está mudando isso, é que havia um monopólio de alguns, e não se abre espaço para o pessoal novo. E acho que tem de haver um lugar onde os novos possam mostrar seu trabalho. Tem de vir a molecada, esse pessoal tem de vir. Quando comecei, era difícil e havia um monte de revistas em bancas. Hoje em dia não tem revista em banca, e se não houver espaço não tem como desenvolver.

E como você definiria sua tira 'Ensaio Sobre a Bobeira'?
Tem um personagem, que é o Bob, uma brincadeira com o bobo. São figuras de máscaras, e ele geralmente responde a perguntas estranhas que me ocorrem. É uma piada que está sendo contada para mim naquele momento que estou fazendo. Quando ando pela rua e me ocorre alguma eu anoto. E tem esse ensaio, uma homenagem ao Zéfiro, essas mulheres com bifes sobre o rosto, que é só para eu ser perseguido pelas feministas (risos).

1.21.2010

A moda errada

Esse post foi feito com o intuito de ganhar uma camiseta do Einsturze Neubauten no site da Wrong T-shirts, nova empreitada do cúmplice de velha data em variados tipos de crimes e roubadas, mister Douglas Utescher.

Recomendo que você, amante de música extrema em suas mais diferentes vertentes, dê uma olhada nas camisetas que o rapaz distribui. Tem de Bauhaus a Beherith, passando por Crude SS e uma enigmática estampa chamada "Der Todesking".