10.06.2010

Born Again


"To everything there is season. For those who are cursed, a time to die and to be forgotten. And for the blessed, a time to be born again: to live on, beyond death, in the minds of men." - Blood Axis

Eis a trilha sonora dos últimos dias. Minha predileção por neofolk sempre esteve voltada para bandas que tinham uma sonoridade mais modernizante/industrial, como o próprio Blood Axis no início. Mas o novo CD, calcado em instrumentos antigos, surpreendeu-me positivamente.

Ouvir




9.23.2010

Post função fática

Entre canções de Omara Portuondo, litros de mate e leituras cada vez mais caóticas (pois assim denominaram meu processo de leitura que mescla livros de história, revistas de variedade, peças do Beckett e alguma coisa do Cortázar, claro) tenho me dedicado mais e mais aos textos da UGRA PRESS que ao meu velho companheiro de desastres e confusões Dissolve Coagula, que é esse blog mais ou menos abandonado que você está lendo agora.

7.29.2010

Trecho de Fim de partida, do Beckett

Na última promoção do site da Cosac Naify comprei , entre outros, dois livros do Beckett que conheci nas aulas de Correntes Críticas da FFLCH (aliás, um dos mais interessantes cursos do Departamento de Literatura Comparada, por promover o debate de obras/escolas modernas). Esses livros são Esperando Godot e Fim de partida, textos escritos após a Segunda Guerra Mundial e que retratam o destroçado ambiente mental e social dos anos seguintes ao conflito. Não é por acaso que os personagens são todos corrompidos, deformados, aleijados. Beckett não parece fazer concessões.

6.26.2010

Renovação


Os que visitam o blog regularmente já perceberam as mudanças que fiz por aqui. Fontes maiores, serifadas, área de leitura mais espaçada e um novo header. Não poderia deixar de colocar nesse header uma máscara de gás, uma de minhas fascinações.

6.15.2010

Carta número 1

A pior companhia que posso ter sou eu mesmo. Chafurdo na mediocridade como um porco na lama; feliz, lambuzado de todas as podridões que hipocritamente execro, torno-me lentamente um distorcido reflexo da autoimagem enganosa que tenho de mim. Projeto sonhos futuros feitos de uma matéria completamente ridícula. Construo uma casa, uma família e uma esposa ideais: nessa ilusão gosto de me demorar entre os compromissos cotidianos (imaginar a própria vida é o primeiro sintoma de que se odeia a própria vida). Então me vejo em uma ampla morada, uma arejada casa burguesa, com seu mobiliário estúpido, seus quadros estúpidos, seu cachorro de estimação estúpido; ainda não tenho filhos nessa vida imaginada e minha esposa é perfeita com um grande rabo, pernas torneadas e fome de puta. Ao mesmo tempo é completamente apaixonada e nada tem na vida a não ser a mim, o centro de seu sistema solar, o astro ao redor do qual ela orbita com a consciência de uma imbecil. Tenho dinheiro suficiente para viagens internacionais duas vezes ao ano, jantares nos restaurantes da Serra e caprichos outros dos quais as pessoas em geral se valem para gastar sem pensar muito. Tudo que foi relatado é um resumo aporcalhado dos pensamentos que eu desenvolvo até os detalhes: é assim que gasto as minhas horas, construindo mentiras.