2.23.2010

Histórias de amantes VI e VII


VI
Disse a ele que não se preocupasse: estava atarefada demais, a mesa de trabalho com pilhas de papel, o tempo reduzido a um minúsculo souvenir que escorregava por entre seus dedos. Compromissos inadiáveis, eis a explicação dada.

Ele compreendeu imediatamente, mas com a máscara do Fingimento. Levar para o campo de batalha da discussão uma causa perdida não lhe parecia sensato. Entretanto, deveria ter inquirido aquela mulher que ainda amava, mas era claro o que acontecia assim como são claras e brilhantes todas as verdades que matam: evitava-o, queria aquele homem longe de si e para isso se valia de todos os expedientes e especialmente da mentira.

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VII
Imaginou como seria viver acordando sempre no mesmo quarto e ao lado da mesma mulher: o mesmo cheiro, os mesmos trejeitos, a mesma forma de dispor as xícaras para o café, a voz mole e manhosa do pós-despertar, os abraços ternos, a cumplicidade que somente se constrói através dos anos.

Ela jogava água no rosto para despertar enquanto ele, ainda na cama, se perdia nessas reflexões. Atento aos movimentos de sua amada, não desconfiava que o futuro muitas vezes trai os sonhos mais bonitos e coloridos, que muitas vezes arremessa no vermelho da Destruição até as belezas mais intocadas.

2 comentários:

  1. Gosto dos seus textos. :)

    Previsão pro lançamento do livro?

    Beijos

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  2. Segundo as previsões, final de abril. A parte gráfica está em andamento, aguarde ;-)

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