1.13.2010

Histórias de amantes IV e V

IV
Ainda não sabiam mas os amantes enfim iriam se separar, iriam livres e rebeldes correr em direções contrárias, iriam se esquecer de seus melhores dias nos braços de outro alguém que ainda não conheciam.

Isso aconteceria com ele e também aconteceria com ela. Mas naquele momento estavam nus, suados e sedentos, imersos em uma turva ignorância de prazeres, prisioneiros em um universo frágil que julgavam eterno.

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V
Ela dormia tranqüilamente sobre o peito dele. Velando aquele sono de anjo, imaginou que sonhos experimentava para ter um semblante tão sereno.

Eram tentativas vazias de sugar aquele mundo onírico povoado por desejos secretos jamais contados, por detalhes que não se compartilhavam, por memórias de um passado onde ele ainda não existia. Tal como uma revelação, o cume inacessível que era o íntimo daquela mulher se mostrou a ele - e saber que entre eles haveriam segredos eternos, de uma eternidade que vencia a tudo e especialmente o seu amor, sabe disso fez nascer naquele homem um desejo torpe de lhe contar mentiras, de inventar histórias que nunca ocorreram, para assim ele também ter um segredo, para assim ele também possuir algo que se esconde.

3 comentários:

  1. O amor é uma coisa engraçada. Eu sempre vejo as pessoas dizendo no quão a paixão é avassaladora e o amor é frágil.
    Pessoas ordinárias precisam mentir histórias pra se sentirem no nível, q mtas vezes, a outra pessoa está anos-luz à frente.


    Ah, e olha que eu não sabia, que vc me seguia no twitter. Obrigada pelo dulcimer. (:

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  2. Difícil enquadrar em conceitos, mas a melhor definição que ouvi para o amor vem do Nelson Rodrigues: "Pouco amor não é amor".

    Só a desmedida o caracteriza - para o "bem" e para o "mal". Pode ser um excesso de afeto ou um excesso de posse, não importa. É essa desmedida que parece ser o grande denominador comum de tudo o que se faz em nome deste sentimento.

    Valeu pelo comentário!

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  3. Eu não acredito que desmedidas possam ser boas.
    Mas que sim, essas desmedidas (boas ou ruins) sejam justificativas pra atos em nome do "amor".

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