5.17.2007

Dezesseis


"Não sei se isso é algo com que eu deva me preocupar. Não sei se sequer devo pensar nisso. Basta que você atreva-se somente uma vez. Ao menos foi assim comigo e, desde então, desço mais e mais degraus, procuro mais e mais sujeiras. É lixo o que busco, este lixo que se traduz como um apetite que pede um corpo de dezesseis anos com os odores inebriantes da adolescência... as pernas abertas, a vagina de pêlos macios implorando para serem mastigados, mordidos, batizados em sangue e esperma... E se aqui você sente uma náusea, um prelúdio ao vômito, é porque não sabe o que é uma ninfeta, nem ouviu o grito dela quando um soco a faz cair no chão e seguidos pontapés transformam aquele anjo em desespero, em sensual e apetitoso desespero. Os cabelos enrolados nas mãozinhas frágeis, olhinhos perdidos na confusão da violência, nada disso seria diferente de um espancamento qualquer se não fosse o malicioso sorrisinho nos lábios daquela criança. Quer tentação maior do que esta? Um sorriso que aprova, que torna a boca ainda mais deliciosa e quase implora por murros mais fortes? Como não deixar a menina saciar sua sede lambendo as bolas, a cabeça, o pau todo, engoli-lo e massageá-lo, cheia de lágrimas impossíveis de distinguir se são de dor ou prazer? Apertar o pescoço dessas garotas enquanto enfia-se o pau inteiro em suas boquinhas proporciona um prazer indescritível: perder o ar intensifica as sensações e o fogo que sairá dos olhinhos dela deixarão isso claro e, digo mais, a cadelinha irá retribuir à altura. Quanto mais prolongado for o estrangulamento, quanto mais próximos da morte, maiores recompensas estarão reservadas aos amantes. Sufocá-la assim, com o falo, não pode ser crime e, se o for, eu digo: esta lei nada sabe sobre a Natureza, nem sobre os instintos nem sobre aquilo que faz homens e mulheres continuarem vivendo nesta desgraça de mundo. Essa lei é surda quando falo que cabelos de mulher existem para serem puxados enquanto estão sendo fodidas; que elas querem coitos longos e pesados; e que as utopias da mãe e da mulher casta foram destroçadas pelos novos tempos. Se agora carrego comigo esta condenação, se a lei desaprova minha conduta e o que fiz foi errado segundo ela, pois bem; mas essa lei, que (supostamente) existe para nos tornar melhores e ordenar os compromissos da vida social, consegue suas vitórias nos traindo. Está impondo limites onde a Natureza criou abundância de liberdade e fazendo de nós um bando de medrosos que sentem vertigens de nojo quando a mulher banha-se na urina quente do amante e toma por banquete suas fezes. Se quiserem me condenar, então o façam, encarcerem-me. Nunca compreenderei esses seus procedimentos, tidos como elementares, mas se aqui vivo devo ao menos me portar de acordo com a conveniência e – impossível ignorar o fato – não posso escolher agir de outro modo, estou totalmente subjugado a vocês. E da mesma forma que agora me tens de joelhos sempre é bom lembrar – como uma espécie de advertência e antídoto contra a arrogância – que também a Natureza nos tem nas mãos e assopra nossa face de acordo com seus caprichos; ela é quem produz flores de rara beleza e frutos venenosos numa mesma árvore; faz chuva para fertilizar os campos e furacões que destróem cidades inteiras; esta mãe que julgamos ingrata, que acaricia os filhos antes de mandá-los ao cadafalso, ela continuará nos observando e, mesmo que lutemos com toda a ferocidade, ainda assim será um combate estéril tal como o da Triste Figura; e à revelia de leis e vontades e morais e todos-os-outros-empecilhos, continuará produzindo garotas de dezesseis anos cujos corpos ganham formas que só nascem para servir aos mais extremos prazeres."

13 comentários:

  1. Anônimo1:30 PM

    Uau que extremo! não consigo traduzir o sentimento que se desenrolou ao ler esse texto... estou confusa.

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  2. "Estou confusa" - ahá! já descobri que você é uma mocinha, ser Anônimo - ou melhor, Srta Anônima.

    Sim, escrever este texto também foi fruto de uma confusão. Ler Sade quando se tem 17 primaveras dá nisso.

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  3. fodido, hein? clap!

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  4. Lê, muito bom seus textos. Parabéns, de verdade!
    Bjo!

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  5. Eis o rasgar do fino véu da pseudo-moral moderna. Ótimo.

    Abraços!

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  6. Anônimo9:15 AM

    Esse tipo de coisa já foi feita por outros antes de você, e melhor.

    (Mesmo assim não era nada tão bom).

    mistura de mentira, vontade pueril de chocar e melodrama

    e meio arrogante, por se colocar nesta posição de expor a mentalidade de ovelha moralista de todo o resto da humanidade menos esse texto, que é livre e fodão.

    mentiroso porque você finge que acredita mesmo nessas coisas, que isso choca e que você está abalando as colunas da sociedade
    quando na verdade você sabe que escreve essas besteiras para ser um "escritor maldito" que é algo que você acha legal.

    Na boa, quer viver essa vida lamacenta de rua, de verdade? Então se filia a essa turminha do barulho aqui, que apronta as maiores confusões!

    http://www.brazilian-shitters.com/index.html

    Eles dão a cara a tapa e são livres de verdade.

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  7. Anônimo querido:

    Existem algumas coisas que precisam ser ditas:

    - "Esse tipo de coisa já foi feita por outros antes de você, e melhor" - quanto a isso, todos concordamos. , embora eu sinceramente não esteja competindo pra ser melhor que ninguém aqui.

    - você afirma que meu texto é "mentiroso porque você finge que acredita mesmo nessas coisas, que isso choca e que você está abalando as colunas da sociedade": quando comecei a escrever este texto, em nenhum momento me passou pela cabeça abalar estrutura social nenhuma. Se você percebeu isso em sua leitura, deva isso apenas aos seus ímpetos revolucionários, pois isso não existe em mim.


    - literatura não significa vida real. Eu não escrevo coisas sobre minha vida pessoal aqui, antes utilizo elementos da vida como material estético. Por isso, quando você pergunta se eu quero viver "essa vida lamacenta de rua, de verdade?" não consigo ver sentido algum. Eu sei que é difícil, mas separar literatura de vida pessoal é um exercício interessante, senão primordial.

    Ah, adorei o site. Aquelas pessoas devem ser bem fedorentas. Livres, já não sei. E assim como elas, você pode dar sua "cara a tapa" da próxima vez e se identificar, não? Coisa feia ficar se escondendo!

    E obrigado pela visita/comentário! Volte sempre que quiser.

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  8. Anônimo6:07 AM

    Ah, é óbvio que você quer "abalar as estruturas" do sistema. Você sabe que escreveu algo que a maioria das pessoas (menos, talvez, a turma do Brazillian scat) é desagradável e "ui, chocante".

    A única coisa que você vai conseguir atingir com isso é adolescentemente chocar papai e mamãe, na boa, sua "arte" não vai se prestar a outro propósito.

    Você diz que isso é um texto criado por você e não representa o que você quer fazer da vida ou pensa pessoalmente, por isso, não vai fazer o que retrata. Muito bem, completamente compreensível.

    Mas quando você escreve algo, tem uma intenção. Isso é uma ficção, não uma mentira.

    Quando você faz um bloguinho maldito ui ui com nome de "Reflexões de um Anticristo" e escreve narrativas escatológicas em primeira pessoa, você sabe que a impressão que passa é de apoiar isso de alguma forma.

    Literatura não é vida real. Mas é comunicação, e você está tentando passar alguma coisa com seu texto. Se não QUAL o objetivo do seu exercício estético? Como eu disse acima, a única coisa que você atinge é escatologia teen pra chocar velhinha.

    Ninguém mais se impressiona com esses exercícios repetitivos de baixaria coprofágica, estupro, etc. Esse material Sadistico já era velho quando nasceu. E ele tampouco realmente denuncia alguma hipocrisia moral de verdade, funciona só pelo choque. Isso é o máximo que você vai provocar nas pessoas. "Hum, isso aqui é desagradável".

    Seu narrador diz que a sociedade é hipócrita etc, etc, esse discurso é tão velho, quando justaposto a violência para provar um ponto, e honestamente não questiona moral nenhuma, só repete o que o Sade fez 300 anos atrás de maneira pálida e entediante.

    Além disso, como eu disse, se coloca nessa posição arrogante de "eu sou livre e fodão, um espírito de superhomem imortal e o resto da humanidade são cordeiros submissos" que nem é verdade, já que você não é o seu narrador, não vive a sua vida nessa esbórnia de estupro e violência, e nem como ficcionista apresenta de verdade a ninguém dados concretos sobre hipocrisia social nenhuma.

    Algum deslumbrado veio falar "Eis o rasgar do fino véu da pseudo moral".

    Porra, ainda que fosse pseudo, e a modernidade tivesse ALGUMA moral.

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  9. Anônimo8:10 AM

    Mas veja, longe de mim querer cercear ou desanimar quem está na militando na luta escato-violento-fecal literária!

    Acho melhor criar e fazer do que não fazer porra nenhuma, e produção artística, praticamente qualquer que seja, é interessante e pode levar a algo a ser apreciado pelos outros.

    Nem que esse algo seja o Brazillian Shitters!

    Abraço e continue sempre, sinceramente!

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  10. Anônimo simpatissíssimo,

    Em primeiro lugar, que prazer debater com vc, apesar de sua insistência em ficar oculto na covardia do anonimato.

    Mas vamos lá continuar a prosa:

    - "Ah, é óbvio que você quer "abalar as estruturas" do sistema": mas que linguajar mais tipicamente anarco-esquerdista uspiano! Vc insiste em falar que quero fazer críticas ao sistema, que quero chocar as pessoas e blá blá blá. Ora, meu caro sem-nome, se eu quisesse realmente isso, ainda mais em um país onde pouco se lê, eu não faria um blog! E o choque pelo choque é algo que nunca me interessou - muito menos agora, na pré-velhice. Portanto, na boa, vc tá vendo no meu texto um desejo de "abalar o sistema" que, sinceramente, não existe.


    - "A única coisa que você vai conseguir atingir com isso é adolescentemente chocar papai e mamãe": ah tá, obrigado pelo aviso.

    - "Quando você faz um bloguinho maldito ui ui com nome de Reflexões de um Anticristo´": mas que mania vc tem de querer me cutucar, né? Até do nome do blog você não gosta. Cuidado, amargura no coração não faz bem.

    - "... você está tentando passar alguma coisa com seu texto. Se não QUAL o objetivo do seu exercício estético?": bom, eu
    acho meio idiota alguém ficar explicando as coisas que escreve, meio que justificando pq escreveu assim ou assado. Mas como vc precisa disso, lá vai: o grande motivador do texto é obviamente Sade, autor que já percebi que vc nutre pouca (ou nenhuma?) simpatia. Li há tempos atrás, em algum dos seus textos, esta idéia da Mãe Natureza como uma coisa cruel, tirânica, que tanto conduz o homem ao prazer, quanto ao crime. Basicamente é sobre isto que trata o texto, e acho este tópico deveras
    interessante. As imagens exageradas obedecem ipsis literis ao tipo de atmosfera que encontramos em Sade. Eu, do mesmo modo, aprecio este estilo. Ou seja, é um texto onde busco unir um conteúdo e uma forma que aprecio há tempos. Em outras palavras, eu curto ler uns bagulhos assim, entende? Você não gosta, né? Acontece, também devo detestar milhões de coisas que vc deve babar, e assim o mundo gira, cheio de opiniões e pensamentos diferentes.

    - "Ninguém mais se impressiona com esses exercícios repetitivos de baixaria coprofágica, estupro, etc ... Isso é o máximo que você vai provocar nas pessoas: ´Hum, isso aqui é desagradável´": ora, vc, meu caro anônimo, é a prova contrária
    disso, já que foi além do suposto nojo que as pessoas sentiriam ao ler o texto, e colocou suas mãos no teclado e, na suprema coragem que o anonimato confere aos medrosos, se preocupou em escrever suas idéias e destilar seu rancor. Palmas pra vc!

    - "e nem como ficcionista apresenta de verdade a ninguém dados concretos sobre hipocrisia social nenhuma": nossa, aqui a
    sua chatice alcançou o último estágio de desenvolvimento! Dados concretos? apresentar de verdade? ora, meu dogmático anônimo, se quer coisas concretas, se quer "verdades" pra ler, aprecie outras coisas e não o meu blog. O combustível de minha escrita é a vida concreta, mas jamais me considerei capaz de a apreender totalmente, de mimetizar o real em meus escritos. A tentativa de fazer isso, além de um pedantismo sem limites, me parece sempre fadada ao fracasso. Prefiro escrever com a
    fantasia em alto nível, sem ficar me preocupando em fazer denúncias". Existem ótimos autores que fazem isso muito bem, mas sempre achei que literatura é muito mais que crítica social, coisa que vc parece insistir em atribuir a mim, sei lá por qual motivo.

    - "Mas veja, longe de mim querer cercear ou desanimar quem está na militando na luta escato-violento-fecal literária":
    essa é a parte mais divertida de tudo que vc escreveu! Militando? Luta? hehehehhh. Depois quem escreve coisas ultrapassadas sou eu!

    - "Acho melhor criar e fazer do que não fazer porra nenhuma": eu não, acho melhor ficar quieto que fazer qualquer coisa. O problema é que não consigo ficar quieto, e continuo fazendo bostas.

    E vc, faz algo? Estou curiosíssimo pra ler algum texto seu! Seria muito feio, depois da sua afirmação, privar-me de conhecer
    a sua produção artística (sem aspas, por uma questão de decoro). A não ser que você insista em permanecer no seu escuro esconderijo sem-nome, coisa que considero bem engraçada. Mas talvez isso te dê uma certa forma de satisfação, dá um ar de que vc tá fazendo algo meio subversivo, coisa que, a julgar pelo seu léxico empoeirado de movimento estudantil, vc deve adorar.

    Abraços cordiais, se vc for homem. Mas se for mulher, ah, merece um tapa bem estalado na bundinha gostosa!

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  11. se vc acha que eu me contentei com a torradeira, está muito enganado... não perde por esperar!

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  12. Escreva contos de amor adultos, talento não falta, hehe.

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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